Capítulo 19 - O final de 1900

A morte de Emanuelle repercutiu mais do que se esperava.

Quem se enrolou ainda mais em suas investigações foi o detetive Sérgio, que sempre tinha Emanuelle como grande suspeita dos crimes que ocorreram naquele ano. Mas naquele dia de Natal, do ano de 1900, no funeral de Emanuelle o caso pareceu ainda mais difícil de solucionar.

Emilieva sentiu uma mistura de emoções, não sabia o que sentir. Mas uma coisa ela sabia, Emanuelle merecera a morte que teve.

Tulio mal teve forças de levantar-se e ir ao enterro de sua esposa. E apartir daquele dia entrou em uma profunda depressão.

Peter disfarçou o seu pesar. O seu plano de fugir com Emanuelle se queimou junto com o fogo. E teve que aguentar calado o deboche e o sarcasmo de Sadine, além da pressão dela e de sua avó Carmela para tomarem logo posse dos bens que foram de sr. Marco e haviam sido herdados por Emanuelle.

O único obstáculo seria Tulio, mas ainda no velório ele garantiu a dona Carmela que lhe repassaria tudo, pois não queria nada daquilo, pois a única coisa que ele queria havido sido consumida pelo fogo.

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Dois dias antes do reveillon, durante a madrugada, apenas um guarda tomava conta da delegacia. Xin Li Ping que a dias observava o movimento por ali, resolveu por seu plano em ação. Utilizando de artes marciais, ele dominou com facilidade o guarda, conseguiu as chaves de libertou Emilieva.

- Sr. Xin Li Ping! O que fazes por aqui?
- Vim tirá-la daqui, eu nunca falei para ninguém, Emilieva, mas eu sou apaixonado desde o primeiro dia em que a vi. Mas falaremos disso mais tarde, precisamos fugir agora mesmo.

Os dois sairam imediatamente dali, direto para uma charrete que Xin Li Ping havia deixado escondida ali perto. E assim partiram.

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Desde o dia que Emanuelle morrera, Tulio nunca mais abrira o cassino. E tão pouco foi visto por alguém. Mas foi no dia do reveillon que seus funcionários bateram a sua porta. Tulio não abrira a porta, e depois de muita insistência os funcionários resolveram arrombar a porta. Encontraram pendurado no lustre do salão principal, Tulio Munari. Havia enforcado-se. E foi com essa tragédia que o ano de 1900 terminou, e com um velório o ano de 1901 em começou para todos eles.

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1902
Depois de alguns tempo vivendo juntos, finalmente sr. Felipo pediu a mão de Van Göethe em casamento. De presente ele lhe deu uma lavoura, na qual ela passou a cultivar plantas. Em pouco mais de dez anos, o casal tinha dobrado todo o dinheiro que tinha, com plantações de oliveiras, videiras e de flores.

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1905
Após o nascimento de Martim, Peter e Sadine decidem ir embora e mudam-se para Chicago. Peter. Depois disso tiveram mais 6 filhos, Peter montou o próprio consultório de cardiologia e lá viveram por muitos anos.

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1907
Cisnério Hioga convida Nhá Cleide para ir morar no Brasil, e enfim, a ex-escrava volta sua terra natal. Junto levam Lièene que havia tornado-se amiga de Nhá Cleide.

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1908
Dona Flaviana casa-se pela terceira vez, com Adolf Schartz, irmão de Ingerborg, que era 20 anos mais novo que Flaviana. A sociedade fiorentina repudiu a união dos dois, que foram morar em Amsterdã, e lá abriram um pub.

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1912
Malvina e Dulcina decidem viajar de navio. Utilizam todas suas economias e escolhem como viagem, a primeira travessia do Titanic. Nunca chegarão ao destino que pretendiam.

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1914
Dona Carmela morre. No velório apenas seu filho Giulian e a nora Charlote comparecem.

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1920
O detetive Sérgio que foi servir o país na primeira guerra mundial, morre em combate.

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1929
Após o crak da bolsa de Nova Iorque, Brunette que havia se mudado com André Ravéras para Boston, enterra o marido, que perdeu muito dinheiro e se suicidou.

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1945
Vítima da tuberculose Emilieva morre em Moscou. Após a fuga da cadeia ela e Xin Li Ping fogem para lá, onde viveram até o fim de sua vidas. Os dois tiveram 4 filhos. Xin Li Ping abriu outra botique de onde tirou o sustento da familia.


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1956
Peter, com 81 anos, agora viúvo, vai até ao Rio de Janeiro em suas férias, visitar Leonora, uma de suas filhas. Leonora morava num condomínio em Ipanema, onde havia uma praça na frente. Certo dia ele decide descer até a praça para jogar xadrez com alguns dos velhinhos que iam lá todos os dias. Quando ia atravessar a rua, ao seu lado vê uma velha, que deveria ter mais ou menos a sua idade. Notou que a velha era muito fraca, e apoiava-se em uma bengala e carregava uma sacola com algumas verduras.
- Bom dia senhora, precisa ajuda?
- Bom dia senhor, olha não vou negar sua ajuda, se puder levar a sacola para mim, e só atravessar a rua, preciso chegar ali na praça e descansar um pouco.
- Deixe que levo pra senhora.

Os dois então atravessaram e sentaram no banco mais próximo.
- Muito obrigada, senhor. O senhor parece muito mais jovem que eu. Eu não tenho mais forças.
- A vida é dura as vezes não é mesmo?
- É, para mim sempre foi. A propósito senhor, como se chama?
- Peter. Peter Lori. Moro em Chicago, mas vim visitar minha filha. E você como se chama senhora?
- Terezinha. Me chamo Terezinha, Peter. E enfim estamos os dois juntos, aqui no Brasil.
- Como mesmo? Não compreendo.
- Hoje me chamo Terezinha, mas anos atrás, no começo do século, cheguei a ser tia do homem que mais amei na vida, Peter. Você me conheceu em Firenze, em 1900, e eu me chamava Emanuelle.

1 comentários:

Gilmar disse...

Você escreveu isso, Viola, você escreveu isso!!!
Mas, onde estávamos esse tempo todo? E dizer que devo tudo isso a um modem, uma linha telefônica...
Vejo na minha tela o que você produziu no seu teclado, que eu nem sei de que cor é, e eu quase não precisei usar o meu pra ler.