Capítulo 5 - A chegada de Peter

Logo o detetive Sérgio Loretto chegou ao local do crime. Porém nada seria simples de resolver. O que ele encontrara no local, além do corpo da senhora Ingerborg degolado, encontrou um bando de feirantes curiosos alvoroçados, comentando mil coisas.


O primeiro passo da investigação seria ir ao cassino falar com os funcionários. Ao chegar lá encontrou apenas o jovem Tulio Munari, dono do cassino. O sr. Tulio herdara o cassino havia pouco tempo. Foi após a trágica morte do senhor Vicenzo Munari, seu pai, que morreu no incêndio que teve na casa da família. Tulio ainda morava numa peça anexa ao fundo do cassino, porque sua mansão estava em reconstrução. Hoje, traumatizado, tinha o maior cuidado com as velas.


O detetive Sérgio dirigiu-se a Tulio perguntando informações básicas da noite anterior.

- Sim, me recordo dessa senhora, desde que assumi a gerência do cassino eu tenho acompanhado tudo o que se passa, principalmente as grandes apostas. Essa alemoa ganhou muito dinheiro na noite passada, mas foi no vermelho dezessete que ela levou a grande fortuna. Quem se deu mal naquela rodada foi o jovem egípcio, aquele que dizem que abrirá um loja de tecidos por aqui. Disse Tulio ao detetive.

- E o senhor saberia me dizer se mais alguém conversou com a senhora Schartz?

- Que eu me recordo não. Logo que pegou o prêmio ela foi-se, sozinha do mesmo jeito que chegou e permaneceu durante toda a noite. Não muito depois o jovem egípcio também se fopi, inconsolável, com uma garrafa de uísque na mão.

- O senhor saberia me dizer como eu entro em contato com esse jovem?

- Olha, pelo que sei, ele está hospedado no Hotel Palacio, mas deve frequentar quase diariamente a casa da Madame Filipa.

- Bom, no mais é isso. Agradeço a sua colaboração.


Um suspeito em potencial, com um bom pretesto havia surgido nas investigações. O próximo passo do detetive era ter uma conversa com o senhor Aliluis Alfad. Porém isso demoraria alguns dias, pois este havia feito uma rápida viagem até Roma, onde iria receber as mercadorias de sua loja.


***


Foi ao pôr-do-sol do dia 11 de janeiro que o trem vindo de Napoli estacionou na estação central. A sra. Carmela e o sr. Marco esperavam ansiosamente a chegada de seu filho com sua família. Foi um reencontro emocionante. Pedidos de perdão pela falta de notícias, foram feitos sem parar, misturados aos choros que contagiaram a todos. Mas a grande alegria dos avós foi ver o quão bonito era seu neto Peter. Jamais na vida a sra. Lori imaginou que teria tamanha alegria. O sr. Marco buscava no neto toda e qualquer semelhança, o que, incrivelmente era visível, pois Peter lembrava muito o avô quando jovem.


Após todo o cerimonial dirigiram-se a mansão dos Lori, para o jantar que os esperava. Foram convidados para a ocasião o sr. e a sra. De Carli, sua filha Sadine, a sra. Malvina e a dona Dulcina, o senhor Cisnério Hioga e o jovém André Ravéras. A senhora Charlote Smith ficou um tanto quanto impressionada com a alegria e o entusiasmo de tantos italianos reunidos, falando alto, rindo, e bebendo muito vinho. Giulian Lori, finalmente sentia-se em casa. A América fora um lugar que sempre lhe foi agradável, mas agora percebia o quanto a Itália estava integrada em suas veias.


Os jovens logo estavam reunidos. André e Peter apresentaram uma grande sintonia. Estava escrito que seriam logo grandes amigos. Os dois comentavam, um querendo levar mais vantagem que o outro, sobre suas conquistas amorosas mundo a fora. Mas o que realmente chamou a atenção de Peter durante toda a noite foi Sadine. Adimirou-se com sua beleza gélida. Via ali uma moça que não seria apenas uma de suas diversas conquistas. De alguma forma sabia que essa seria um grande troféu, e que deveria ser conquistado aos poucos.


O primeiro passo seria apenas conhecer bem o território da guerra que enfrentaria. Porém Sadine, sentiu um calor em seu corpo como nunca havia sentido antes. Sentiu-se feia, mal arrumada, pensava que deveria ter passado mais perfume. Já planejava o dia seguinte, no qual renovaria todo o seu guarda-roupa. Teve momentos que queria pular para cima de Peter. Uma vontade quase que incontrolável. Talvez por esse motivo, que a tentativa de uma boa conversa, não tenha sido satisfatória para Peter, pois Sadine pareceu muito tímida e retraída.


A par de toda essa situação, André convidara o novo amigo para sairem ápós o jantar. Precisa apresentar a casa de Madame Filipa para Peter. Como Peter viu que com Sadine a história seria outra aceitou a proposta de Ravéras. Com uma sútil saída a francesa os dois partiram para a segunda etapa da noite.


***


Na tarde daquele mesmo dia, antes do jantar na casa dos Lori, dona Flaviana recebeu a visita do detetive Sérgio. Ele fora informar-se um pouco mais sobre a vida da senhora Ingerborg, e ninguém melhor que sua grande amiga Flaviana para lhe contar.


- Conheci a sra Ingerborg, no ano de 1875, éramos jovens ainda. Foi na viagem de lua de mel minha e de Felipo. Decidimos que passaríamos a lua-de-mel em Munique. Num ds cassinos encontramos uma jovem alemã, rica e bem alegre. Ela bebia champanhe. Felipo a reconheceu. Ela era filha de um de seus melhores compradores. Sabe, meu marido tem videiras, e o pai de Ingerborg tinha uma vinícola. Tivemos uma grande afinidade.

- Então a senhora Ingerborg tinha o costume de jogar?

- Sim. Sempre ia ao cassino, e possuia uma grande sorte. Uma incrível sorte, melhor dizendo, não houvera um dia em que ela tenha chegado em casa sem ter ganho. Na última vez que viera para cá, ganhou uma grande quantidade tanto de meu marido, como do senhor Marco Lori.

- E a senhora saberia dizer se em alguma dessas ocasiões, algum perdedor fez alguma ameaça a ela?
- Não...jamais fariam isso a minha amiga, imagina. Para muitos era um prazer perder para ela. Ela era a diversão dos cassinos. Mas se eu fosse o senhor interrogaria a Madame Filipe, a cafetina, na manhã do crime, elas duas tiveram uma discussão na loja do chinês.
- Vou averiguar isso, no mais muito obrigado por sua colaboração.

***

A noite prometia no bordel de Madame Filipa. André Ravéras foi logo subindo com Guilermina para um dos quartos. Antes apresentou Emanuelle para Peter. Disse que com certeza aquela seria uma ótima companhia para ele.
- Peter, essa é Violeta, ela trabalhou na melhor casa de Paris, mas hoje por circunstâncias do destino está aqui em Firenze. Seu nome é Violeta.
- És muito bela minha cara.
- Merci.

Os dois conversaram um bom tempo, e Emanuelle utilizando de sua desenvoltura para fazer com que Peter bebesse cada vez mais vinho. Passado em torno de duas horas, os dois finalmente subiram para o quarto.

Emanuelle acreditava que aquela seria mais uma tarefa comum. Enganou-se. Depois de muito tempo trabalhando no gênero, finalmente Emanuelle sentiu prazer no que fazia. Arrependeu-se de ter oferecido tanto vinho ao rapaz. Queria que este não tivesse dormido no meio da noite. Por alguns momentos desejou que aquela noite nunca acabasse, mas antes de o dia clarear, Peter acordou e quis acertar o pagamento.

Emanuelle sentiu o desgosto de sua vida nesse momento, não queria cobar nada, se pudesse ela mesma pagaria. Mas não podia deixar seu compromisso com a tão acolhedora Madame Filipa. Cobrou apenas a porcentagem da cafetina.

Peter estranhou o quão barato tinha sido sua noite. Desceu e consultou o preço com a Madame Filipa. Esta lhe explicou, que de fato o preço era bem maior, e numa cumplicidade de pensamentos os dois entenderam o ocorrido. Emanuelle tivera uma noite de satisfação pessoal. Para o ego de Peter, mesmo a atitude vindo de uma cortesã, era algo surpreendentemente compensador.

Entretanto para Madame Filipa a noite não havia sido muito agradável. O detetive Sérgio compareceu em sua casa. Primeiro ele interrogou o jovem Aliluis Alfad. Fora uma conversa um tanto quanto constrangedora, para o filho de shakes.
- Me informaram, senhor Aliluis, que o senhor perdeu uma grande quantidade em dinheiro para a senhora Ingerborg, que momentos depois foi assassinada numa esquina próximo ao cassino. Soube também que o senhor saiu logo em seguida. Por onde o senhor esteve depois que saiu do cassino?
- Sai arrasado, nem sempre se perde uma grande quantidade em dinheiro. Daria para compra duas das melhores mansões da cidade. Compraria uma fazenda. Saí do cassino, e fui beber pelas ruas, pensei em jogar-me no Rio Arno, e foi para lá que me encaminhei.
- Não encontrou com a sra. Schartz?
- Não, na verdade, talvez tenha visto de longe. Sim, agora me recordo, eu a vi de longe, conversava com alguém, aguém de capa escura, de costas, e como estava alto na bebida não pude identifcar direito quem era.
- Mas reconheceu a senhora Ingerborg?
- Sim claro, não esqueceria de sua silhueta, tão pouco da bolsa enorme que havia guardado o dinheiro que recebeu.
- E havia discussão?
- Não. Creio que não. Só me chamou atenção porque eu havia pisado em algo estranho, um ramalhete de rosas brancas. Um grande ramalhete. Mas creio que isso seja relevante.
- Talvez. Mas agradeço a sua colaboração. Agora preciso conversar com a Madame Filipa se o senhor me permite.

Então o detetive Sérgio dirigiu-se até a Madame Filipa e a interrogou sobre o corrido na loja de Xin Li Ping.

- Como eu lhe disse detetive, eu discuti com aquela senhora sim, porque ela humilhou uma de minhas funcionárias. Violeta coitada, estava apenas escolhendo um vestido novo, que dei de presente a elas de Natal.
- E eu poderia conversar com a srta. Violeta?
- No momento isso não será possível, ela subiu a pouco, mas tenho certeza que amanhã, ela terá maior satisfação em lhe contar exatamente tudo o que o senhor já sabe.
- Mais uma pergunta senhora. Vejo que sua casa é bastante decorada com muitas flores. A senhora utiliza em sua decoração rosas brancas?
- Que pergunta mais esquisita. Em todo caso, não, não utilizo tais flores. A única que gosta das rosas brancas aqui é Emilia. Temos um canteiro dessas flores no quintal ao fundo. Emilia cuida delas todos os dias, e apanha algumas para colocar em seu quarto.
- Certo, e srta. Emilia pode falar agora?
- Sim vou chamá-la.

Emilieva chegou perto do detetive, mas antes que esse começasse o interrogatório, ela lhe ofereceu uma enorme taça de vinho. E depois dessa mais outras cinco de forma que o detetive esqueceu porque havia chamado a rapariga. Terminou a noite no quarto de Emilieva. Lá notou um belo vaso enfeitado com rosas brancas.

Na manhã seguinte, ao acordar o detetive, questionou a Emilieva o gosto por tais flores.
- Veja bem, eu sempre pego um ramalhete novo, todos os dias, pego aquelas lá, veja, do nosso quintal.
- E no dia do assassinato da senhora Ingerborg, o que você fez?
- Depois que saímos da loja do chinês viemos para casa. eu tive uma desinteria. Fiquei acamada dois dias. Agora, se o senhor tem tanta curiosidade por tais flores, porque não pergunte a Van göethe, a florista. Certo dia encontrei a tal sra. Carmela comprando rosas brancas por lá.
- Verificarei isso. Mas no momento ir, pois preciso conversar ainda com a senhorita Violeta. Aqui está seu pagamento.

Emanuelle repetiu toda a história ocorrida, exatamente igual o que havia explicado a Madame Filipa.
- E na noite do crime a senhorita em algum momento se retirou do salão?
- Sim, me retirei, fui atender um cliente. Um dos que prefere certa discrição. Fomos até uma casa velha, perto do cassino.
- Quem era esse senhor?
- Veja bem, esta informação não posso lhe dizer, porque isso comprometeria a moralidade de tal senhor.
- Mas tal informação pode ser importante para inocentá-la, pois devido aos fatos, a senhorita é uma forte suspeita.
- Sendo assim, pergunte alguma coisa ao senhor Felipo De Carli. Eu o atendi aquela noite. A tal alemã se hospedou na casa dele.
- Fato interessante. E mais uma perguntinha. Sobre rosas brancas. Viu alguma com o senhor Felipo?
- Não. Ele não carregava nada.

E assim o detetive partiu do bordel. Indo direto a casa dos Lori. E depois ainda teria que conversar com o sr. Felipo. O que mais lhe intrigava era que até então só tinha suspeitos, mas nada de concreto. Uma cafetina nervosa, uma cortesã adoradora de rosas brancas, um bêbado perdedor do jogo, uma senhora que costuma comprar flores, e a cortesã e o senhor que tiveram um encontro nas proximidades do local.





1 comentários:

emmi disse...

Acho que foi a tal Flaviana....